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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Uma História de Amor!!!

Abelardo & Heloísa

O romance entre Heloísa e o teólogo e filósofo Pedro Abelardo iniciou-se em Paris, no período entre o final da Idade Média e o início da Renascença.
Heloísa, que já ouvira falar sobre Abelardo e se interessava por suas polêmicas teorias, tentara, inutilmente, aproximar-se dele por meio de seus professores.

Reconhecido como um dos homens mais cultos de sua época, Abelardo havia sido recentemente convidado a lecionar na Escola Catedral de Notre Dame, tornando-se, em pouco tempo, muito conhecido por admirar os filósofos não-cristãos, numa época de forte poder da Igreja Católica.
Suas aulas tornam-se cada vez mais concorridas e alcançam umtriunfo sem precedentes.

Numa tarde, Heloísa saiu para passear com sua criada Sibyle, e aproximou-se de um grupo de estudantes reunidos em torno de alguém . Seu chapéu foi levado pelo vento, indo parar justamente nos pés do jovem que era o centro das atenções, o mestre Abelardo.
Ao escutar seu nome, o coração de Heloísa disparou.

Ele apanhou o chapéu, e quando Heloísa se aproximou para pegá-lo, logo a reconheceu como Heloísa de Notre Dame, convidando-a para juntar-se ao grupo.
Risos jocosos foram ouvidos, mas cessaram imediatamente quando o olhar dos dois pousaram um sobre o outro. Heloísa recolocou seu chapéu, fez uma reverência a Abelardo e retirou-se.

Desde esse encontro, porém, Heloísa não consegui mais esquecer Abelardo.Fingiu estar doente, dispensou seus antigos professores e passou a interessar-se pelas obras de Platão e Ovídio, pelo Cântico dos Cânticos, pela alquimia e pelo estudo dos filtros, essências e ervas.
Ela sabia que Abelardo seria atraído por suas atividades e viria até ela.

Quando ficou sabendo dos estudos de Heloísa, conforme previsto por ela, Abelardo imediatamente a procurou.
Abelardo tornou-se amigo do cônego Fulbert de Notre Dame, tio e tutor de Heloísa, que logo o aceitou como o mais novo professor de sua sobrinha, hospedando-o em sua casa, em troca das aulas noturnas que ele lhe daria.

Em pouco tempo essas aulas passaram a ser ansiosamente aguardadas e, sem demora, contando com a confiança de Fulbert, passaram a ficar a sós.
Fulbert ia dormir, e a criada retirava-se discretamente para o quarto ao lado.
Em alguns meses, Abelardo e Heloísa conheciam-se muito bem, e só tinham paz quando estavam juntos.

Um dia, Abelardo tirou o cinto que prendi a túnica de Heloísa e os dois se amaram apaixonadamente.
A partir desse momento, Abelardo passou a desinteressar-se de tudo, só pensando em Heloísa, e descuidando-se de suas obrigações como professor.

Os problemas começaram a surgir.

Primeiro, esse amor começou a esbarrar nos conceitos da época, quando os intelectuais, como Heloísa e Abelardo, racionalizavam o amor, acreditando que os impulsos sensuais deveriam ser reprimidos pelo intelecto. Não havia lugar para o desejo, que era um componente muito forte no relacionamento dos dois, originando um intenso conflito para ambos.

Ao mesmo tempo, Sibyle, a criada, adoecera, e uma outra serva que a substituíra encontrou uma carta de Abelardo dirigida a Heloísa, e a entregou a Fulbert, que imediatamente expulsou Alberto.
No entanto isso não foi suficiente para separá-los.
Heloísa preparou poções para seu tio dormir e, com a ajuda da criada Sibyle, Abelardo foi conduzido ao porão, local que passou a ser o ponto de encontro dos dois.

Uma noite, porém, alertado por outra criada, Fulbert acabou por descobri-los.
Heloísa foi espancada, e a casa passou a ser cuidadosamente vigiada.
Mesmo assim o amor de Abelardo e Heloísa não diminuiu, e eles passaram a se encontrar onde pudessem, em sacristias, confessionários e catedrais, os únicos lugares que Heloísa podia freqüentar sem acompanhantes a seu lado.

Heloísa acabou engravidando e para evitar um escândalo, Abelardo levou-a à aldeia de Pallet, onde nascera . Deixou-a aos cuidados de sua irmã e voltou a Paris.
Entretanto, não agüentou a solidão que sentia longe de sua amada e resolveu falar com Fulbert, para pedir o seu perdão e a mão de Heloísa em casamento.Surpreendentemente, Fulbert o perdoou e concordou com o casamento.

Ao receber as boas novas, Heloísa voltou a Paris, deixando a criança com a irmã de Abelardo .
Sentia, no entanto, um prenúncio de tragédia. Casaram-se no meio da noite, às pressas, numa pequena ala da Catedral de Notre Dame, sem nem trocar alianças ou um beijo diante do sacerdote.
O sigilo do casamento não durou muito, e logo começaram a zombar de Heloísa e da educação que Fulbert dera a ela .

Ofendido, Fulbert resolveu dar um fim àquilo tudo. Contratou dois carrascos e pagou-os para invadirem o quarto de Abelardo durante a noite e arrancar-lhe o membro viril.
Após essa tragédia, Alberto e Heloísa jamais voltaram a se falar.

Ela ingressou no convento de Santa Maria de Argenteul, em profundo estado de depressão, só retornando à vida aos poucos, conforme as notícias de melhora de seu amado iam surgindo.
Para tentar amenizar a dor que sentiam pela falta um do outro, ambos passaram a dedicar-se exclusivamente ao trabalho.

Abelardo construiu uma escola-mosteiro ao lado da escola-convento de Heloísa .
Viam-se diariamente, mas não se falavam nunca .
Apenas trocavam cartas apaixonadas.
Abelardo morreu em 1.142, com 63 anos.

Heloísa ergueu um grande sepulcro em sua homenagem e faleceu algum tempo depois, sendo, por iniciativa de suas alunas, sepultada ao lado de Abelardo.
Conta-se que, ao abrirem a sepultura de Abelardo, para ali depositarem Heloísa, encontraram seu corpo ainda intacto e de braços abertos, como se estivesse guardando a chegada de sua amada.

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"Fujo para longe de ti, evitando-te como a um inimigo, mas incessantemente te procuro em meu pensamento. Trago tua imagem em minha memória e assim me traio e contradigo, eu te odeio, eu te amo." ( Carta de Abelardo a Heloísa.)

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"É certo que quanto maior é acausa da dor,
maior se faz a necessidade de para ela encontrar consolo,
e este ninguém pode me dar,
além de ti.Tu és a causa de minha pena,
e só tu podes me proporcionar conforto.
Só tu tens o poder de me entristecer,
de me fazer feliz ou trazer consolo."
(Carta de Heloísa a Abelardo)
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